Semana de Histórias

Fechamos, assim, nossa série de Histórias Espíritas, agradecendo muito a sua companhia durante esta semana e desejando sinceramente que essa leitura tenha contribuído para nosso aprendizado, reflexão e desenvolvimento espiritual.

 

Recapitulando, as histórias desta série foram:

 

O livro-libelo

 

Saudade Vazia

 

Noite de Chuva

 

O Auxílio Mútuo

 

História do Amor

 

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Até a próxima! Fiquem com Deus!                 

                                                                                        

Euzébia

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História do amor

Artur Gonçalves de Sales

 

 

Pede a ostra colada à pedra em que se escalva:

– “Ajuda-me, Senhor! Sou larva triste e feia!…”

Nisso, o mergulhador pisa o lençol de areia,

Qual fulmíneo titã, no abismo verde-malva.

 

 

Pensa, encantada, a pobre: – “Eis alguém que me salva…”

O homem, contudo, ataca e a mísera baqueia.

Depois, sofre, na tona, o facão que a golpeia,

Fere, insulta, escarnece e lanha, valva em valva.

 

 

Mas, em vez de revolta, a vítima indefesa

Oferta-lhe, ao cair, por troféu de beleza,

A pérola que brilha entre os arpões e os rascos…

 

 

Essa é a história do amor que se alteia, sublime;

Inda mesmo a sangrar, sob a injúria do crime,

Beija e enriquece as mãos dos seus próprios carrascos.

 

 

(Da obra “Antologia dos Imortais”, psicografada por Chico Xavier e Waldo Vieira, Editora FEB – Federação Espírita Brasileira)

 

***

 

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O Auxílio Mútuo

Neio Lúcio

 

 

                        Diante dos companheiros, André leu expressivo trecho de Isaías e falou, comovido, quanto às necessidades da salvação.

 

                        Comentou Mateus os aspectos menos agradáveis do trabalho e Filipe opinou que é sempre muito difícil atender à própria situação, quando nos consagramos ao socorro dos outros.

 

                        Jesus ouvia os apóstolos em silêncio e, quando as discussões, em derredor, se enfraqueceram, comentou, muito simples:

 

                        – Em zona montanhosa, através de região deserta, caminhavam dois velhos amigos, ambos enfermos, cada qual a defender-se, quanto possível, contra os golpes do ar gelado, quando foram surpreendidos por uma criança semimorta, na estrada, ao sabor da ventania de inverno.

 

                        Um deles fixou o singular achado e clamou, irritadiço: – “Não perderei tempo. A hora exige cuidado para comigo mesmo. Sigamos à frente”.

 

                        O outro, porém, mais piedoso, considerou:

 

                        – “Amigo, salvemos o pequenino. É nosso irmão em humanidade”.

 

                        – “Não posso – disse o companheiro, endurecido -, sinto-me cansado e doente. Este desconhecido seria um peso insuportável. Temos frio e tempestade. Precisamos ganhar a aldeia próxima sem perda de minutos”.

 

                        E avançou para diante em largas passadas.

 

                        O viajor de bom sentimento, contudo, inclinou-se para o menino estendido, demorou-se alguns minutos colando-o paternalmente ao próprio peito e, aconchegando-o ainda mais, marchou adiante, embora menos rápido.

 

                        A chuva gelada caiu. Metódica, pela noite a dentro, mas ele, sobraçando o valioso fardo, depois de muito tempo atingiu a hospedaria do povoado que buscava.  Com enorme surpresa, porém, não encontrou aí o colega que o precedera. Somente no dia imediato, depois de minuciosa procura, foi o infeliz viajante encontrado sem vida, num desvão do caminho alagado.

 

                        Seguindo à pressa e a sós, com a idéia egoística de preservar-se, não resistiu à onda de frio que se fizera violenta e tombou encharcado, sem recursos com que pudesse fazer face ao congelamento, enquanto que o companheiro, recebendo, em troca, o suave calor da criança que sustentava junto do próprio coração, superou os obstáculos da noite frígida, guardando-se indene de semelhante desastre. Descobrira a sublimidade do auxílio mútuo… Ajudando ao menino abandonado, ajudara a si mesmo. Avançando com sacrifício para ser útil a outrem, conseguira triunfar dos percalços da senda, alcançando as bênçãos da salvação recíproca.

 

                        A história singela deixara os discípulos surpreendidos e sensibilizados.

 

                        Terna admiração transparecia nos olhos úmidos das mulheres humildes que acompanhavam a reunião, ao passo que os homens se entreolhavam, espantados.

 

                        Foi então que Jesus, depois de curto silêncio, concluiu expressivamente:

 

                        – As mais eloqüentes e exatas testemunhas de um homem, perante o Pai Supremo, são as suas próprias obras. Aqueles que amparamos constituem nosso sustentáculo. O coração que socorremos converter-se-á agora ou mais tarde em recurso a nosso favor. Ninguém duvide. Um homem sozinho é simplesmente um adorno vivo de solidão, mas aquele que coopera em benefício do próximo é credor do auxílio comum. Ajudando, seremos ajudados. Dando, receberemos: esta é a Lei Divina. 

 

(Da obra “Jesus no Lar”, do espírito Neio Lúcio. Psicografia de Chico Xavier. Editora FEB – Federação Espírita Brasileira).

 

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Noite de Chuva

Celso Martins

 

 

                        O temporal desabou furioso sobre a cidade. A chuvarada foi tão intensa que para logo inundou as ruas de vários bairros, enquanto trovões estrondavam surdos dentro da noite rasgada pelos relâmpagos atemorizantes. Como acontece nessas ocasiões, a energia elétrica faltou e as casas se mergulharam na escuridão mais profunda.

 

                        – Você vai ao Centro hoje, pai? – indagou a menina de sete anos.

 

                        O pai, senhor de meia-idade, alguns cabelos brancos, fisionomia um tanto cansada, funcionário municipal que freqüentava, como simples assistente, há anos, determinada Casa Espírita, dirigiu o olhar para a esposa, com quem jantava à luz de um tosco lampião, aceso naquela emergência, como que a pedir-lhe a melhor resposta também. E antes que ele mesmo à filha satisfizesse, a mulher tomou a palavra e explicou calmamente:

 

                        – Ora, meu anjo, é claro que o papai vai ao Centro hoje, sim… Acaso ele deixaria de ir ao trabalho pelo simples fato de cair uma chuva mais forte?

 

                        Animado com o apoio da esposa, levantou-se da mesa, preparou-se ligeiro e, depois de beijar a companheira e a menina, enfrentou a fúria da borrasca. Como era perto, seguiu a pé. Não teria dinheiro para táxi nem desejaria ficar esperando por um ônibus que, decerto, custaria muito a passar. E na caminhada, protegido por uma capa plástica e um guarda-chuva meio roto, ficou a pensar de si para consigo: Puxa! Como sou teimoso! Bem que poderia ficar em casa e ir até dormir mais cedo. Amanhã será domingo e, caso a chuva cesse, irei a um piquenique com a minha turma. Recolher-me ao leito mais cedo seria o melhor que poderia fazer. Tenho andado tão cansado ultimamente. Umas dores nas costas.  Deve ser coisa da coluna. Ou da idade mesmo. Sei lá. Mas, não. Vou sim. Naturalmente irá pouca gente e a sessão vai acabar logo.

 

                        E foi, embora não deixasse de existir, lá no fundo do coração, o secreto desejo de ficar em casa, sob a alegação fácil do mau tempo.

 

                        Foi e, de fato, havia reduzidíssimo número de assistentes materiais, o que em absoluto não se repetia do ponto de vista espiritual. A Casa estava literalmente cheia. Iluminada à luz de fumacenta lamparina, aquela Casa Espírita agasalhava elevado número de entidades sofredoras que eram beneficiadas com o produto amoroso da sessão realizada por um pugilo de homens encarnados com o pensamento voltado para o Bem, ali tão belamente representado pelos mensageiros de Jesus, dando a todos os seus eflúvios de revitalizante bem-estar.

 

                        Tendo regressado, aquele homem adormeceu alegre, no convívio da abnegada esposa e da filha querida, num lar tão pobre de bens materiais mas rico, riquíssimo de paz e de alegria, o maior tesouro a que podemos aspirar aqui na Terra, onde ainda há tanta dor e tanto ranger de dentes.

 

                        O domingo surgiu, então, radiante. O Sol brilhava altaneiro, esparramando por todas as partes as suas bênçãos de claridade e vida. E aquele modesto servidor do Município pôde fazer descontraído piquenique com a reduzida família num dos bosques pelos arredores da cidade, cuja atmosfera fora fartamente lavada pela chuva da noite anterior.

 

                        Mal sabia ele, no entanto, que a seu lado, na véspera, se grudara um Espírito inferior que desejava prejudicá-lo seriamente. Iria fazer tudo para que ocorresse algum incidente desagradável durante o convescote programado, pois ele não se conformava de modo algum em ver a alegria alheia. E este companheiro sofredor foi esclarecido na referida sessão e afastado daquele freqüentador anônimo de um Centro Espírita.

 

(“Contando Histórias”, por Celso Martins e outros. Gráfica e Editora do LAR / ABC do Interior- Capivari – SP).

 

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Saudade Vazia

Jorge Faleiros

 

 

Desde muito chorava o belo filho morto,

Num desastre de mar em suntuoso falucho…

Triste, a fidalga anciã vivia em pranto e luxo,

No esplêndido solar ao pé de velho porto…

                       

Certo dia, a criada, em rijo desconforto,

Dá-lhe um pobre enjeitado, um magro pequerrucho.

Ela clama: “Não quero! Isto é morcego e bruxo,

Tem na face de monstro o nariz feio e torto!… 

 

E a dama solitária, em angústia insofrida,

Atravessou a morte e acordou noutra vida,

Buscando, ansiosa e rude, a afeição do passado…

 

Debalde soluçou, na lição do destino…

Ao desprezar na Terra o infeliz pequenino,

Recusara, orgulhosa, o filho reencarnado.

 

 

(Da obra “Poetas Redivivos”, psicografia de Chico Xavier, Editora FEB – Federação Espírita Brasileira)

 

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O livro-libelo

Hilário Silva

 

 

                                   O distinto causídico não ocultava a ojeriza que experimentava pela Doutrina Espírita. Fosse onde fosse, se a conversa versasse sobre algum tema de Espiritismo, escorregava deliberadamente para o sarcasmo. “Essa história de Espiritismo só num tratado psiquiátrico”. – dizia irônico -, e destilava pequenas difamações como quem debulhava espigas de brasas. Tão azedo adversário se fizera, que aproveitou largo período de férias, em fazenda silenciosa, para escrever um livro contra os postulados espíritas. Livro-acusação. Livro de ódio. Nos serões caseiros, costumava ler para os amigos esse ou aquele trecho, em que médiuns eram denunciados de maneira cruel. E riam-se, ele e os companheiros, entre um e outro gole de uísque, salpicando a lama esfogueante em forma de letras.

 

                                   O distinto advogado assumia as primeiras responsabilidades para enviar o volume à editora, quando sobreveio o inesperado.

 

                                   Dirigia o carro elegante, nas proximidades de um Grupo escolar, quando atarantado pequeno, a correr desorientado, lhe cai sob as rodas.

 

                                   Um passarinho sob um trator não morreria mais depressa.

 

                                   Tumulto. Autoridades em cena.

 

                                   Ele mesmo, suportando os impropérios do povo, apanha o cadáver minúsculo e, de coração agoniado, busca a residência da vítima.

 

                                   Em sã consciência não é culpado, mas tem o coração alanceado de intensa dor.

 

                                   Chorando copiosamente, entrega o menino morto aos pais em pranto, que o recebem sem a mínima queixa.

 

                                   O pai acaricia os cabelos da criança, em silêncio, e a mãezinha ora em lágrimas.

 

                                   Deseja ser humilhado, acusado, ferido. Isso, decerto, lhe diminuiria a tensão. Encontra ali, porém, apenas resignação e a serenidade.

 

                                   O advogado consulta então a família sobre a instauração do processo de indenização, mas o chefe da família responde firme:

 

                                   – Nada disso. O doutor não teve culpa alguma. Ninguém faria isso por querer… Os desígnios de Deus foram cumpridos…

 

                                   E a mãe do menino enxugando o rosto, acrescenta:

 

                                   – Choramos, como é natural, mas não desejamos indenização alguma. Deus sabe o que faz.

 

                                   O causídico, de olhos vermelhos, considerou:

 

                                   – Então…

 

                                   – Doutor, não se preocupe… Compreendemos perfeitamente que o senhor não tem culpa… O senhor está sofrendo tanto quanto nós… Ore conosco, a fim de acalmar-se.

 

                                   Admirando-lhes a paciência cristã, indagou vacilante:

 

                                   – Que religião professam?

 

                                   – Nós somos espíritas – informou o pai da pequena vítima.

 

                                   O advogado baixou a cabeça e ali permaneceu sensibilizado e prestimoso, até a realização dos funerais.

 

                                   E à noite, em casa, de coração opresso e transformado, fechou-se no quarto e rasgou o livro-libelo que havia escrito.

 

(Da obra “A vida escreve”, psicografada por Chico Xavier e Waldo Vieira. Mensagem encontrada no site Caminhos de luz – www.caminhosluz.com.br)

 

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Série “Histórias Espíritas”

Algumas são em prosa, outras em versos, mas todas as histórias que publicaremos durante esta semana aqui no blog (uma por dia, de segunda a sexta-feira) nos auxiliarão a relembrar os ensinamentos de luz da Doutrina Espírita Cristã. Desejo de coração que essa leitura nos instrua, eleve e estimule a reflexão.

 

Tenham todos uma excelente e abençoada semana e boa leitura! Até amanhã!

 

Euzébia

 

www.euzebianoleto.com.br

 

Imagem: Pierce County.wa.us

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Humildade no aprendizado

“Não se faça discípulo dos mestres vaidosos que nada sabem e tudo ensinam. ”

J. Herculano Pires


Ao nos rotularmos “espíritas”, devemos ter a consciência de quanta aplicação requer o estudo dessa Doutrina transformadora e renovadora. E, por mais que estudemos, estamos muito longe de abarcar inteiramente esse conhecimento. J. Herculano Pires nos alerta, em artigo intitulado “Pense Nisso!”, da necessidade de cultivarmos a humildade para que conheçamos a real dimensão do que sabemos, a fim de não prejudicarmos a nós mesmos e aos outros com informações imprecisas e incorretas. Confira a seguir:


Pense Nisso!
Autor: J. Herculano Pires

Não se pode exercer qualquer atividade sem primeiro aprender o que ela é, qual a sua finalidade, quais são as suas regras, quais as dificuldades e inconvenientes que devem ser evitados. Para fazer as coisas mais simples, temos de aprender a fazê-las e adquirir treinamento na prática. Mas, quando se trata de Espiritismo, muita gente pensa que basta assistir algumas sessões para poder fazer tudo e dentro de pouco tempo tornar-se mestre no assunto.

Entretanto, o Espiritismo, como ensinava Kardec, é um campo de atividades difíceis, complicadas, melindrosas, exigindo dos seus praticantes conhecimento seguro de sua natureza e finalidade, de suas possibilidades e dificuldades. Por isso muita gente fracassa na prática espírita, caindo em situações confusas, ensinando aos outros uma porção de coisas erradas, trocando as mãos pelos pés e escorregando sem perceber em obsessões e fascinações. Quantos se afastam da verdade porque mentiram a si mesmos e semearam mentiras ao seu redor!

Evite esse desastre moral e espiritual estudando a doutrina na fonte, com o respeito e a humildade de quem compreende que está lidando com a mais elevada sabedoria já concedida à espécie humana. Espiritismo quer dizer SABEDORIA DOS ESPÍRITOS SUPERIORES. É a Ciência do Espírito, que se desdobra em Filosofia e Religião. Pense bem nisto: se a Ciência dos homens, a Filosofia dos homens e as religiões feitas pelos homens exigem anos de estudo, como se pode querer adquirir a Sabedoria dos Espíritos de uma hora para outra?

Não seja vaidoso e não se faça discípulo dos mestres vaidosos que nada sabem e tudo ensinam. Leia os livros iniciáticos de Kardec. Aprenda passo a passo com o único mestre verdadeiro de Espiritismo que já existiu na Terra, aquele ao qual os Espíritos Superiores confiaram a missão de codificar a doutrina esclarecedora. Estude atenciosamente esses livros, mesmo que você já se considere espírita.

Desenvolva e aprimore o seu bom-senso, evitando a insensatez. Deus, concedeu bom-senso a nós todos, mas nos deixou o trabalho de cultivá-lo. Não se julgue sábio por conta própria. Chega sempre o momento em que teremos de ver que não sabíamos nada e perdemos a grande oportunidade que Deus nos concedeu de encontrar A VERDADE.

Artigo extraído do site www.oespiritismo.com.br .

Aspectos da fala – parte III: uma questão de escolha

                        As palavras e o tom de voz que empregamos são uma questão de escolha: qual o efeito que queremos produzir nos interlocutores? Queremos encorajar ou ofender? Queremos elogiar ou denegrir?

 

                        Podemos utilizar palavras que indicam uma idéia e expressar algo totalmente diferente através do tom de voz. De que adianta elogiarmos alguém com um tom irônico, por exemplo? Portanto, observemos com atenção o modo como nos expressamos, para que não caiamos em contradição.

 

                        A respeito da escolha das palavras, vejamos que bela lição nos legou Chico Xavier:

 

                        “Com o tempo, Chico passou a apostar na frase ‘o mal é o que sai da boca do homem’ e começou a construir um discurso sob medida. Logo ele se tornou um mestre em eufemismos.                    

 

                        No seu mundo, não havia prostitutas, mas ‘irmãs vinculadas ao comércio das forças sexuais’. Os presos eram ‘educandos’, os empregados eram ‘auxiliares’, os pobres eram ‘os mais necessitados’, os adversários eram ‘nossos amigos estimulantes’ e os maus eram os ‘ainda não bons’. Ninguém fazia anos e sim ‘janeiros’ ou ‘primaveras’. Os filhos de mães solteiras deveriam ser encarados como filhos de pais ausentes. A nota de vinte cruzeiros, entregue com freqüência aos pobres, ganharia um apelido inspirado em sua cor: ‘laranjada’ ”. (“As Vidas de Chico Xavier”, de Marcel Souto Maior, Editora Planeta).  

 

 

                        Como conversamos no início da semana, o que dizemos reflete o nosso conteúdo mental. Que espécie de conteúdo mental transparece nos palavrões? Richard Simonetti, na obra “Não pise na bola” (Casa Editora O Clarim), auxilia-nos a elucidar essa questão, definindo o palavrão como “um eco das cavernas, o rosnar do troglodita que ainda existe no comportamento humano”. E acrescenta: “não podemos confundir rótulo com conteúdo. É fácil cultivar urbanidade nos bons momentos. Mostramos quem somos quando nos pisam nos calos ou martelamos os dedos. (…) O palavrão nos coloca à mercê das sombras.”

 

                        Ainda sobre o palavrão, o autor esclarece que é possível “(…) fazer carinho com um palavrão ou agredir com palavras carinhosas. Não me parece de bom gosto demonstrar carinho com palavrões. Imagine-se dando uma palavra carinhosa em alguém. Além disso há o problema vibratório. (…) Desde cedo, vinculando-me ao Espiritismo, compreendi que esse tipo de linguajar não interessa ao bom relacionamento familiar e muito menos à nossa economia espiritual”.

 

                        Dessa forma podemos compreender a importância da boa escolha das idéias, das palavras e do tom de voz não somente para o nosso relacionamento social, mas principalmente para a nossa saúde física e espiritual.    

 

 

                       

                        Encerramos aqui nossa pequena série sobre a fala, com a consciência de não termos trazido conhecimento novo, mas esperando que estes artigos sejam um pequeno lembrete de que o modo como nos expressamos merece especial atenção de nossa parte, e que qualquer melhora é possível nesse campo, havendo boa vontade.

 

                        Paz e luz a todos! Até breve!

 

                        Euzébia

 

                        www.euzebianoleto.com.br   

Aspectos da fala – parte II: o campo vibratório

                        É muito importante que nos policiemos na área da fala, pois, como nos ensina André Luiz, ela está repleta de magnetismo. Vejamos este trecho da obra “As Vidas de Chico Xavier”, do jornalista Marcel Souto Maior (Editora Planeta):

 

                        “Um dia, Chico andava esbaforido em direção à Fazenda Modelo quando foi chamado por uma vizinha. Desde a véspera ela tentava falar com o representante do Dr. Bezerra de Menezes. O moço tinha assumido o compromisso de ajudá-la naquela manhã. Atrasado para o serviço, ele seguiu em frente e se limitou a dizer:

 

                        – Estou com pressa. Na hora do almoço passo aqui.

 

                        Deu cinco passos e ouviu a voz de Emmanuel:

 

                        – Cinco minutos não vão prejudicá-lo.

 

                        Chico voltou, tirou dúvidas da mulher sobre um remédio receitado pelo Dr. Bezerra e foi embora. A vizinha ficou feliz da vida.

 

                        – Obrigada, Chico. Deus lhe pague. Vá com Deus.

 

                        O rapaz despediu-se e, cem metros adiante, seguiu outro conselho de Emmanuel. Olhou para trás para ver o que saía dos lábios da moça em sua direção. Enxergou uma massa branca de fluidos luminosos aproximando-se e entrando no corpo dele. Emmanuel concluiu a lição daquele turno:

 

                        – Imagine se, em vez de ‘vá com Deus’, ela dissesse: ‘vá com o diabo’. De seus lábios estariam saindo cinzas, ciscos, algo pior.

 

                        Chico passou a aconselhar os amigos no centro Luiz Gonzaga:

 

                        – Até punhaladas e tiros temos recebido de volta por mau uso das palavras. Um dia, porque adverti um companheiro sem vestir-me da defesa da humildade, recebi, quando menos esperava, um tiro projetado sobre mim com a força de um pensamento carregado de ódio. ”

 

                        Como podemos observar, o cuidado com o que falamos não se restringe a uma mera questão de polidez social. É algo muito maior, intrinsecamente ligado ao nosso campo vibratório. E por que devemos nos preocupar com isso? Dando uma resposta bastante simplista a essa pergunta, não nos esqueçamos de que atraímos (e buscamos, ainda que inconscientemente) a companhia daqueles – encarnados e desencarnados – com emissões vibratórias semelhantes às nossas. Além disso, nossa saúde depende da boa qualidade de nossas vibrações. Muitos problemas físicos e espirituais podem ser evitados se cuidarmos dessa área de nossas vidas.

 

                        Nesta quinta-feira encerraremos nossa série de posts sobre a fala. Até amanhã!