Aspectos da fala – parte III: uma questão de escolha

                        As palavras e o tom de voz que empregamos são uma questão de escolha: qual o efeito que queremos produzir nos interlocutores? Queremos encorajar ou ofender? Queremos elogiar ou denegrir?

 

                        Podemos utilizar palavras que indicam uma idéia e expressar algo totalmente diferente através do tom de voz. De que adianta elogiarmos alguém com um tom irônico, por exemplo? Portanto, observemos com atenção o modo como nos expressamos, para que não caiamos em contradição.

 

                        A respeito da escolha das palavras, vejamos que bela lição nos legou Chico Xavier:

 

                        “Com o tempo, Chico passou a apostar na frase ‘o mal é o que sai da boca do homem’ e começou a construir um discurso sob medida. Logo ele se tornou um mestre em eufemismos.                    

 

                        No seu mundo, não havia prostitutas, mas ‘irmãs vinculadas ao comércio das forças sexuais’. Os presos eram ‘educandos’, os empregados eram ‘auxiliares’, os pobres eram ‘os mais necessitados’, os adversários eram ‘nossos amigos estimulantes’ e os maus eram os ‘ainda não bons’. Ninguém fazia anos e sim ‘janeiros’ ou ‘primaveras’. Os filhos de mães solteiras deveriam ser encarados como filhos de pais ausentes. A nota de vinte cruzeiros, entregue com freqüência aos pobres, ganharia um apelido inspirado em sua cor: ‘laranjada’ ”. (“As Vidas de Chico Xavier”, de Marcel Souto Maior, Editora Planeta).  

 

 

                        Como conversamos no início da semana, o que dizemos reflete o nosso conteúdo mental. Que espécie de conteúdo mental transparece nos palavrões? Richard Simonetti, na obra “Não pise na bola” (Casa Editora O Clarim), auxilia-nos a elucidar essa questão, definindo o palavrão como “um eco das cavernas, o rosnar do troglodita que ainda existe no comportamento humano”. E acrescenta: “não podemos confundir rótulo com conteúdo. É fácil cultivar urbanidade nos bons momentos. Mostramos quem somos quando nos pisam nos calos ou martelamos os dedos. (…) O palavrão nos coloca à mercê das sombras.”

 

                        Ainda sobre o palavrão, o autor esclarece que é possível “(…) fazer carinho com um palavrão ou agredir com palavras carinhosas. Não me parece de bom gosto demonstrar carinho com palavrões. Imagine-se dando uma palavra carinhosa em alguém. Além disso há o problema vibratório. (…) Desde cedo, vinculando-me ao Espiritismo, compreendi que esse tipo de linguajar não interessa ao bom relacionamento familiar e muito menos à nossa economia espiritual”.

 

                        Dessa forma podemos compreender a importância da boa escolha das idéias, das palavras e do tom de voz não somente para o nosso relacionamento social, mas principalmente para a nossa saúde física e espiritual.    

 

 

                       

                        Encerramos aqui nossa pequena série sobre a fala, com a consciência de não termos trazido conhecimento novo, mas esperando que estes artigos sejam um pequeno lembrete de que o modo como nos expressamos merece especial atenção de nossa parte, e que qualquer melhora é possível nesse campo, havendo boa vontade.

 

                        Paz e luz a todos! Até breve!

 

                        Euzébia

 

                        www.euzebianoleto.com.br   

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