História do amor

Artur Gonçalves de Sales

 

 

Pede a ostra colada à pedra em que se escalva:

– “Ajuda-me, Senhor! Sou larva triste e feia!…”

Nisso, o mergulhador pisa o lençol de areia,

Qual fulmíneo titã, no abismo verde-malva.

 

 

Pensa, encantada, a pobre: – “Eis alguém que me salva…”

O homem, contudo, ataca e a mísera baqueia.

Depois, sofre, na tona, o facão que a golpeia,

Fere, insulta, escarnece e lanha, valva em valva.

 

 

Mas, em vez de revolta, a vítima indefesa

Oferta-lhe, ao cair, por troféu de beleza,

A pérola que brilha entre os arpões e os rascos…

 

 

Essa é a história do amor que se alteia, sublime;

Inda mesmo a sangrar, sob a injúria do crime,

Beija e enriquece as mãos dos seus próprios carrascos.

 

 

(Da obra “Antologia dos Imortais”, psicografada por Chico Xavier e Waldo Vieira, Editora FEB – Federação Espírita Brasileira)

 

***

 

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