A divina conversão – da dor à ação

Da dor à ação

“Quando tudo corre bem em volta de nós e de referência a nós, não nos dói a dor alheia nem nos aflige a aflição do próximo. Perdemos a percepção para as coisas sutis da vida espiritual, a mais importante, e desse modo nos desviamos da rota redentora.”
Joanna de Ângelis – psicografia de Divaldo Franco (obra: “Lampadário Espírita”)

Quando a dor nos bate à porta, é natural que nossas primeiras reações sejam a tristeza, a aflição, a angústia e, não raro, até o desespero. Porém, passado o primeiro momento desagradável, é importante que reflitamos a respeito do que fazer com essa dor: iremos permitir que ela cresça e tome conta de nós ou iremos agir para transformá-la em algo proveitoso?

O sofrimento surge nas mais variadas formas; portanto, não há uma fórmula padrão para que ele possa ser superado. Cada dor constitui um desafio único, com singulares oportunidades de ação. Mas a fé em um Deus justo e misericordioso permite que não nos esqueçamos das verdades incontestáveis relativas à experiência na Terra:

sendo Deus justo, não há sofrimento injusto, ainda que não possamos imediatamente identificar-lhe as causas. A lembrança constante desse fato deve injetar-nos ânimo, paciência e resignação, e fazer com que nossos olhos se atenham com mais força à realidade espiritual do que às situações transitórias desta vida;

sendo Deus misericordioso, não há sofrimento eterno: cedo ou tarde ele acabará;

o perdão para os outros e para nós mesmos é a única resposta cristã para o abandono de mágoas, rancores, ressentimentos e complexos de culpa;

cada dor traz, implícita ou explicitamente, a indicação de uma atitude a ser tomada para que ela produza frutos positivos para nós e, em diversos casos, também para os outros.

Sobre esse último tópico é que versa a nossa conversa de hoje. É importante que analisemos como podemos, a partir do sofrimento, criar ações proveitosas para nós mesmos e para os outros. O que aprendemos de positivo com a nossa tristeza que pode ser repassado aos outros? Conhecendo a dor intensamente, como podemos ajudar a diminuir a dor dos outros? Não esperemos que isso traga o alívio de nossos sofrimentos, mas, sem dúvida, podemos aguardar um importantíssimo acréscimo de força e energia para conseguirmos enfrentar o cotidiano.

Resgate de débitos e progresso moral são maravilhosas consequencias do sofrimento suportado com paciência e resignação. Entretanto, quando a nossa dor nos torna sensíveis à dor alheia e nos impulsiona a espalhar ânimo, otimismo, esperança e fé, aí teremos realizado a divina conversão: acabamos de transformar a dor em ação consoladora.

Como podemos, hoje, desviar o nosso olhar da nossa própria dor e enxergar a dor dos outros?

Paz e luz a todos e até breve, se Deus quiser!

Receber as atualizações deste blog por e-mailEste blog no Twitter (@alunosdeKardec)Página espírita no Facebook